Já
sentiu vontade de modificar seus passos? Ou reescreve-los? Numa noite de
insônia, abri a janela e fiquei observando a noite que tudo silencia menos
nossos pensamentos. Num céu de estrelas, a lua magnífica velava sobre nós. Enquanto
a observava, pude sentir que mais do que ninguém ela conhece os anseios do meu
coração. Por tantas noites, foi ela a única testemunha de minhas lágrimas e da
dor do meu coração. Seu brilho tantas vezes se refletiu na névoa que minhas
lágrimas estendiam sobre meus olhos. Foi ela também companheira quando da
janela olhando o céu, fazia da minha dor uma oração.
Então
empreendi uma viagem para dentro da minha história. Um retrocesso que me trouxe
recordações de sentimentos já tanto esquecidos, de dores já passadas, de
alegrias que nem mais me lembrava. Na estrada da minha história, fui
reencontrando pessoas que ficaram no caminho, ou que escolheram outro caminho.
De
repente percebi que esse retorno me permitia consertar as coisas, falar o que
deixei de falar quando tive oportunidade, mostrar o valor que deixei de
mostrar, manter em minha vida quem deixei partir. Estendi as mãos e fui
resgatando do caminho aqueles que por descuido ou orgulho, abandonei. Ao mesmo
tempo, fui libertando aqueles que por tempo demasiado permaneceram presos em
meus laços.
Em
determinado momento, me deparei com uma rua de lágrimas. Estarrecido descobri
que provinham das pessoas as quais magoei no decurso de minha vida. Desesperado,
me agachei em meio aquela torrente, tentando de toda forma enxugar tantas
lágrimas. Mas as lágrimas que eu derramava diante dessa cena, tornavam o
trabalho infrutífero.
Levantei-me
encharcado e tremendo, buscando encontrar as pessoas que habitavam aquela rua.
A cada uma que eu abraçava, permitia que nossas lágrimas unidas molhassem a
terra, esperando que frutificassem em frutos de perdão e renascimento.
Exausto,
me arrastei até a esquina onde visualizei outra rua, cheia daquelas pessoas que
sempre imaginei que se tivessem tido outro momento para entrar em minha vida, a
teriam modificado de forma muito mais ativa. Com novo ânimo corri ao encontro
delas e comecei a realoca-las. Tomando pela mão cada uma eu corria pelas ruas
da minha vida, trazendo algumas para um tempo anterior ao que elas haviam
chegado, e outras, eu levava para frente.
Era
um trabalho estafante, e eu já não sabia mais se estava consertando as coisas
ou que consequências adviriam disso. Emocionalmente cansado caí no meio de um
cruzamento. Quando meus olhos se abriram, uma mão se estendia para me ajudar a
levantar. O que me marcou foi o sorriso que acalentou meu coração. Já de pé, fui
envolvido por aqueles braços e, enquanto minha cabeça repousava em seu peito, ele
cantou de forma tão angelical que as palavras adentravam meu coração e iam
curando, modificando, me refazendo.
Nem sempre na vida se joga tão bem,
Se destroem as coisas e os sonhos também,
Nossos olhos se enchem de lágrimas,
Lembrando o que aconteceu
Ninguém nunca nos disse ou tentou ensinar,
Que alguns que se amam podem se odiar,
Quando não se permite ao amor respirar o orgulho consegue ganhar.
Eu sei não é fácil ver desmoronar,
Tua felicidade num castelo de areia,
Ouvir estas vozes na escuridão
Te acusando e reclamando.
Não foi tua culpa e não te enganem com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te tortures pensando que mal tens feito
Se Deus não te acusa ninguém mais tem o direito
Não foi tua culpa
Não tenha vergonha se queres chorar
Tens uma ferida que deve curar
E se queres olhar adiante, o passado se deve sarar
Eu sei não é fácil falar de perdão
O ódio atrapalha e escurece a razão
Já não busques culpados em teu coração
Mas um refugio onde possas amar
Tenha coragem e segue lutando
Há muito por amar e Deus não pensa em deixar-te
Se andam falando que a história acabou
A verdade é outra apenas está começando
Não foi tua culpa que não te enganem com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te tortures pensando que mal tens feito
Se Deus não te acusa ninguém mais tem o direito
Tens mais uma chance de ser feliz
Ainda pode dizer ao amor
Que sim ...
Que sim...