segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quero ser canção...



“Talvez eu seja como uma canção, um conjunto de sentimentos unidos a uma só coisa. Talvez eu seja uma canção, quem sabe eu te faço sorrir, quem sabe eu te faça chorar. Assim como uma canção, talvez eu não agrade a todos os gostos, mas mesmo assim, tenho o meu valor. Assim como em uma canção, a beleza não esteja na melodia, e sim na letra. Agora pense em mim como uma canção, e aprecie-me do jeito que sou.” Retirado do blog da May.


Impressionante como as vezes nos deparamos com um texto e temos a impressão que fomos nós que escrevemos, ou mesmo que a pessoa partilha dos mesmos anseios, dos mesmos questionamentos, da mesma visão de mundo. Tantas vezes nos sentimos sós na visão ideológica do mundo, e é bom saber que não estamos sozinhos.
Talvez eu seja mesmo como uma canção. Sei que nunca agradarei a todos, mas é possível que ao prestarem atenção na letra, a melodia não seja assim de toda tão ruim. Algumas canções sempre marcaram minha vida, e anseio ser na vida das pessoas esta canção que nunca sai do tom, que nunca é por demais ouvida.
Tenho várias pessoas canção em minha vida. Algumas me fazem chorar, outras me remetem a momentos de alegria, e pensar nelas é como chegar em casa ao final de um dia e colocar o disco para tocar, sentar na varanda e sentir a brisa tocar o rosto enquanto a canção vai tomando conta de tudo, sendo respirada junto com o ar, inundando corpo e mente... sentir a leveza da vida, dançar até sentir os pés saindo do chão, flutuando... dançar com a alma, desligar o corpo dos distúrbios do mundo.
Hoje vou dormir com a canção dos amigos a embalar meus sonhos, canções que a muito eu não escutava...

Em qual cemitério clandestino as pessoas estão enterrando os seus sonhos?


Sempre fui um sonhador. Difícil especificar quando os sonhos começaram a fazer parte da minha vida. Sonhar acordado sempre foi uma forma de tornar a vida mais doce.
Desde a infância os sonhos foram sempre uma fuga, uma arma secreta, um canto acolhedor. Sempre muito tímido, vivia muito sozinho, tinha poucos amigos, e quando no recreio eu sentava sozinho ao pé de uma árvore, ali eu sonhava com um mundo bem diferente deste que vivemos.
A impressão que tenho é que nasci deslocado do meu tempo. As músicas antigas sempre me tocaram mais, e constantemente me imaginava nos bailes de antigamente, fazendo a corte a alguma bela dama, solicitando a honra de uma dança. Tudo era mais simples e mais bonito.
A vida de hoje nos tira o prazer de conviver. As pessoas estão sempre desconfiadas, e se você se mostra mais amável com alguém, já se imagina que você está querendo algo.
Eu não tenho mais medo de me machucar com a convivência humana, porque prefiro ter o coração dilacerado, do que ter um coração de pedra.
Pessoas maravilhosas sucumbiram porque não conseguiram enfrentar toda a maldade do mundo, e incompreendidas escolheram desistir. Pessoas que aos nossos olhos tinham tudo para serem felizes, mas que num ato desesperado puseram um ponto final na vida. Eu entendo a alma que sofre. Eu entendo a vida que em vida foi mais morte que vida. Eu já pensei em desistir. Eu já me senti tão só que nenhuma palavra era capaz de me fazer enxergar além do cinza. Já chorei noites a fio na esperança que ao amanhecer encontraria mais do que apenas meus olhos inchados.
Eu quero a simplicidade das coisas. Quero de volta a alegria que sentia quando criança, ao brincar na rua. Quero o cheiro de comida no fogão a lenha, a broa de fubá no café da manhã, enquanto o grito dos bichos no quintal nos alertava para um novo dia. Quero a família reunida em volta da mesa, na casa simples de interior, onde minha avó com sua simplicidade contava os causos de tempos passados. Quero os sonhos de criança, a esperança que os amigos seriam sempre amigos, que a família estaria sempre reunida.
Hoje quanto saí do banho me olhei no espelho. E não vi a minha aparência de hoje, com fios brancos na cabeça a se divertirem entre os pretos, com as rugas vincando meu rosto... eu vi um jovem de 15 anos, miúdo, de rosto redondo e liso, cabelos pretos como a noite escura, escorridos sobre a face. Um jovem ainda cheio de sonhos, e ao fitar essa imagem eu senti saudade. Saudade dos amigos que um dia perdi, saudade das histórias que nunca vivi, mas que sempre fantasiei em meus sonhos, saudade do que poderia ter sido. Eu hoje sou todo saudade!