Ao
abrir os olhos o dia parecia tão diferente enquanto ao mesmo tempo tão comum. Os
“bons dias” foram os mesmos, a rotina
também seguiu seu curso. Só o coração teimou em não aceitar que tudo
continuasse igual. Existia uma perda e uma saudade.
Na
frente do espelho ele se observava, os olhos ainda vermelhos de uma noite mal
dormida e das lágrimas que, suavemente traçaram um caminho constante de seu
rosto ao seu travesseiro. Os olhos estavam inchados, e ele se perguntava o que
faz com que alguém se torne tão marcante em nossas vidas, em tão pouco tempo.
Mesmo
diante de perguntas sem respostas, a única certeza que ele possuía era a de que
sua dor era de fato real. Ah, como ele temeu por este dia, e como sabia que um
dia ele chegaria, porém não acreditava que fosse tão rápido e tão carregado de
dor.
Lavou
o rosto e se apoiou na pia deixando que o calor de suas lágrimas formassem
sulcos onde a água fria ainda escorria. Observou os sinais do tempo já
presentes em seu rosto. Lembrou-se do sorriso dela e por um momento pareceu que
também sorria, mas tudo que viu foram mais evidências do tempo. O sorriso dela
sempre inundou seu coração de uma paz que palavras não poderiam nunca explicar. Ela se tornara especial antes mesmo que ele tivesse a chance de olhá-la nos olhos.
Recordou
com saudade e dor da presença dela, da voz que aos seus ouvidos sempre pareceu
uma sinfonia dos anjos. A risada dela que tornava impossível não rir junto. O toque
suave de suas mãos macias que descarregava uma carga elétrica por seu corpo
sempre que ela o tocava. E o tempo? O
tempo que peralta brincava de roubar as horas quando ele podia estar com ela.
Naquele
dia, todos que com ele encontraram questionaram seu jeito distraído, seus olhos
vermelhos, seu semblante abatido. Por um curto momento ele olhava aquelas
pessoas na esperança de que as perguntas carregassem consigo um desejo real de
conhecê-lo profundamente. Mas rapidamente ele percebia que as perguntas carregavam
apenas a etiqueta de uma relação social. Dizia estar bem e isso parecia aliviar
o coração daqueles que não queriam de fato se aprofundar nas dores dos outros.
Sem
se dar conta, ele se viu parado próximo ao local onde os dois foram naquela
noite tão mágica. Caminhou a passos trôpegos até onde se sentaram e onde seus
braços a enlaçaram. Sentou-se no mesmo lugar, e seus olhos varreram a paisagem
que naquele momento não possuía mais a mesma cor e a mesma vida de quando
estava com ela.
Fechou
os olhos e reviveu novamente o momento onde os lábios dela tocaram os seus.
Nunca conseguiria esquecer aquela sensação de ser alçado aos céus, o momento
onde olhou dentro dos olhos dela e ali se viu. O momento onde ambos nada
precisaram dizer, porque tudo já havia sido dito.
Agora
ali sentado, ele sabia que aquele momento foi a ruptura onde ele a ganhou e a
perdeu. Nada mais poderia ser como antes. Olhando o vazio ao seu lado, ele se
deu conta de que teve a chance de mantê-la para sempre ao seu lado, mas não
soube cuidar do que lhe foi confiado. Ela lhe apresentou um coração ferido,
ainda em recuperação, e ele se esqueceu da fragilidade que nela habitava.
Neste
momento, a dor também o dilacerava, porque ele não compreendia as matizes do
amor. Como ele poderia fazer com que ela o perdoasse por ter amado tanto, por
ter se esquecido que salvá-la disso tudo valia muito mais?
Levantou-se
e foi embora. No peito carregava os sonhos, os desejos nunca revelados. E o
peso de saber que o vazio que ela deixou, era a prova inequívoca de que ela
também sofria.
.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário