quinta-feira, 25 de junho de 2015

PASSOS QUE LIBERTAM


Caminhei tantas vezes perdido, procurando encontrar o que eu mesmo nem sabia que procurava, ou o que procurava.
Olhava o mundo com desconfiança, me sentindo tão deslocado de tudo. Um vazio, uma saudade, um desejo, uma vontade de não sei o que. Nem eu mesmo compreendia minhas lágrimas, apenas tinha ciência de que elas precisavam romper a represa de meus olhos e se libertarem. Precisavam me libertar também.
Diante daqueles que me olhavam na superfície, meu riso tantas vezes forçado lhes bastava. Eu era solidão na multidão, e tantas vezes fui multidão na reclusão de mim mesmo.
Fiz da poesia, da escrita, meu canal de salvação. Despejei no papel toda minha dor, tudo que não compreendia, tudo que feria. As letras corriam linha por linha, folha por folha, e minha alma se derramava no papel. Eu era o único leitor de mim mesmo. Lia a dor que construiu morada dentro de mim. Posseira, se recusava a ir embora. Rasguei tantas vezes folhas e folhas, como se este gesto pudesse expurgar a dor que eu havia gravado em suas linhas.
Observei-me no espelho e vi além da aparência marcada pelos anos. Dentro de meus olhos vi o caminho da busca incessante de um porto seguro.
Reconheci que para seguir, é preciso se desfazer das bagagens extras, dos pesos desnecessários. Fui me desfazendo de tudo que me pesava a alma, ciente de que a melhor forma de seguir, é não permanecer preso em situações de nossa história onde fomos fracassados.

Persisti na busca, e hoje, acredito que encontrei. Vou ancorar meu barco, recolher as velas. Caminharei agora com passos decididos de quem sabe onde quer chegar. Pois já não caminho mais sozinho.