sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Amor paternal



Hoje acordei com uma vontade enorme de ser pai. Sempre alimentei este desejo, mas hoje ele pareceu falar mais forte, tão forte que cheguei a escutar uma voz me chamar de “papai”. Sorrindo e com os olhos marejados pela emoção da palavra recebida, olhei para o banco do carro e não vi ninguém, eu estava ali sozinho.
Mas este desejo foi aumentado pela cena presenciada de dentro do carro. No portão da casa, o pai pacientemente colocou os dois filhos pequenos na garupa da moto, saiu em marcha lenta, dando uma pequena volta pela rua sem saída, e parando novamente na porta de casa. Ao descerem da moto, o pai se agachou e os dois meninos se entrelaçaram em seu pescoço num abraço apertado, cheio de beijos.
Pacientemente o pai conversou com seus dois filhos que não paravam de falar. Por mais de três vezes o vi dizendo que precisava ir, porém sem perder a paciência com seus pequenos, pedaços de sua vida, três que formavam um só...
Quando o pai subiu na moto, e sumiu dobrando a rua, os pequenos braços ainda se agitavam num aceno ao pai.
Quanto mais o tempo passa, maior é o desejo de ver perpetuar em outro ser um pouco daquilo que sou. Não quero ser um pai distante da realidade dos meus filhos, por isso o desejo de conviver com eles antes que os anos nos tornem tão distantes um do mundo do outro.
Quantas vezes já senti vontade de escrever para meus filhos, antes mesmo deles existirem.
Quando os dois pequenos foram colocados para dentro de casa pela empregada, perguntando se o pai demoraria a voltar, meu pensamento foi remetido para outra cena.
Sentado no último banco da igreja, um casal de idosos acompanhado pelo filho tomou lugar logo à minha frente. O filho por várias vezes perguntou ao pai se o mesmo sentia frio, e ofereceu sua blusa. Logo em seguida brigou com o pai por estar sem o aparelho de surdez.
Me prendi nestes dois opostos....num o pai cuida carinhosamente de seus filhos, no outro, o pai vira filho e passa a ser cuidado, dependente...
Sim, os filhos crescem, mas eu quero ter guardado na memória aquele momento tão significativo, tão marcante dos pequenos envoltos no pescoço do pai. Eternizar na memória um momento que o tempo levará consigo.

4 comentários:

Taíse Palombo disse...

O seu desejo, vc sabe, é compartilhado e vivenciado tb por mim...
Que nosso sonho ganhe logo asas pra poder voar.
Te amo.

Jeferson Cardoso disse...

Olá Adriano! Esta semana estou divulgando uma “nova” postagem. Trata-se de um conto; que na verdade vem a ser uma reedição de meu blog. Sua postagem original ocorreu em 13.02.09; sendo esta a minha terceira postagem no blog. Naquela ocasião este texto não recebeu nenhum comentário. O texto é “O Sr. e o Dr.”. Espero que você, tendo um tempinho, o aprecie.
Um grande abraço, minha gratidão e desejo que tenha uma ótima semana!

Jefhcardoso

Jeferson Cardoso disse...

Amor paternal é o amor incondicional. É o amor, que quando existe, jamais acaba.

Adriano Vinícius, feliz fiquei eu por você ter ido ao meu blog, comentado e gostado do meu conto O Sr. e o Dr., amigo. Contarei com sua atenção e lhe desejo tudo de bom.

Abraço do Jefhcardoso!

Janaína disse...

Um dia, quero escrever isso:

"Antes de ser mãe eu fazia
e comia os alimentos ainda quentes


Eu não tinha roupas manchadas.
Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia
o quanto eu queria
e nunca me preocupava
com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de
escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu limpava
minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos
nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava
se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas eram
coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim,
nem me beliscou sem nenhum cuidado,
com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha
controle sobre a minha mente,
meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.
... eu dormia a noite toda ...

Antes de ser mãe eu nunca tive
que segurar uma criança chorando
para que médicos pudessem
fazer testes ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando
pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz
com uma simples risadinha.
Eu nunca fiquei sentada horas
e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca
segurei uma criança só por
não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar
quando não pude estancar uma dor.
Eu nunca imaginei que uma
coisinha tão pequenina pudesse
mudar tanto a minha vida.
Eu nunca imaginei que pudesse
amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação
de ter meu coração fora do meu próprio corpo.
Eu não conhecia a felicidade de
alimentar um bebê faminto.
Eu não conhecia esse laço que
existe entre a mãe e a sua criança.
Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse
fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me
levantei à noite a cada 10 minutos
para me certificar de que tudo estava bem.

Nunca pude imaginar o calor,
a alegria, o amor, a dor
e a satisfação de ser uma mãe.

Eu não sabia que era capaz
de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada, Deus ,
por eu ser agora um alguém tão
frágil e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada meu Deus por mandar uma Luz, a verdadeira paz, e o significado da palavra Amor..."