terça-feira, 22 de setembro de 2009

Saudade


Valorizo as pessoas que sabem ser desprendidas de situações, de lugares, de pessoas, de problemas. As pessoas que assim vivem, para elas saudade é uma coisa que não pega de jeito. O peso que ela faz é algo suficiente e saudável. Sente saudade do cheiro de casa, saudade do colo da família, dos amigos, das situações vividas, mas tudo isso com uma saudade que não machuca.
Conheci pessoas assim. Que podem estar num lugar por anos, mas que se preciso for mudam de estado, de país, com uma serenidade tremenda.
Quando meu irmão entrou para a Comunidade Missionária de Villaregia, e lá freqüentávamos com freqüência, uma das coisas que mais me chamavam a atenção, e para mim era um dos maiores empecilhos para que eu pudesse fazer parte desta comunidade, era a sua missão “ad gentes”, o ser comunidade para a missão, o estar onde for preciso, ir onde for mais necessário. E sempre que eu me apegava a alguém da comunidade, chegava o momento daquela pessoa partir, ir onde outros talvez estivessem precisando mais dela. E assim eu via tantos partirem, algum indo sem a certeza se um dia nos veríamos de novo, mas iam todos com uma alegria e um desprendimento que me tocavam profundamente. Creio que eu sofria mais com a partida deles do que eles próprios.
Descobri que lugares são coisas que me prendem. Lugares, cheiros, situações, pessoas. Sou de criar raízes, por isso as mudanças me doem tanto, porque preciso ser arrancado pela raiz, e sempre fica um pedaço de mim de onde sou arrancado.
Um dia destes, eu estava passeando aqui por BH, e mesmo na correria do dia, eu vi tantos lugares carregados de lembranças, de vida. Momentos vividos com pessoas especiais, pedaços de vida partilhados e que talvez nem se repitam mais. Coisas tão simples que marcam minha alma. A praça onde me sentei ao lado de pessoas especiais, onde partilhei histórias, o barzinho onde juntos tomamos cerveja e deixamos o tempo passar...
Descobri que as pessoas sempre partem, e quando partem, não é exatamente outro ser que partiu, e sim alguém dentro de mim que se perdeu ou morreu.
Sofro por ser apegado demais às coisas. A distância de quem gosto me dói forte demais. Hoje descobri que quero fixar raízes, mas não em algum lugar definido ou específico. Estou aberto a estar em qualquer lugar, desde que esteja com quem me faz melhor, desde que eu me sinta completo.
Os pensamentos são confusos? Sentimentos são para serem vividos, não explicados.

Um comentário:

Taíse Palombo disse...

Será que é ao meu lado que vc quer criar raízes??????

Te amo pra sempre, te amo demais!!!